Lucky [Crítica sem spoilers]

Marcado como último filme de Harry Dean Stanton, Lucky traz um ótimo exercício de despedida de um idoso de 91 anos com a vida e também do ator com as telonas. Lucky, ou “sortudo”, como ele mesmo diz, vive uma vida monótona, simples e rotineira embora, por trás disso, encontre um medo real vivido por todos nós, o medo da morte. Buscando auto-conhecimento, ele é o tipo de pessoa que sempre parece ter respostas para tudo, filósofo realista e pessimista. Entre outras coisas, a composição do ator é impressionante e o personagem título carrega o filme nas costas.


Após cair, o protagonista percebe que a qualquer momento pode morrer e, esperando por isso, se surpreende e fica triste porque recebeu do médico a notícia de que sua saúde é perfeita, que não precisa parar de fumar e que teria ainda muito tempo de vida. É justamente essa contradição que enriquece ainda mais a narrativa já que, afinal, nunca temos controle de nossa vida e nem do que irá acontecer.

O ator e diretor estreante John Carroll Lynch, faz um trabalho excepcional, com destaque também para o diretor David Lynch, que interpreta um personagem que perdeu um cágado (que, segundo ele, tem mais de 100 anos) e é sempre consolado por Lucky com frases cheias de simbolismo. O filme também mostra um lado mais puro do ser humano, quando todos que cercam Lucky se preocupam com ele, principalmente quando o personagem não aparece nos locais de costume.

Alternando em alguns momentos para o humor, a obra faz com que o telespectador possa respirar um pouco, especialmente em cenas de alívio cômico protagonizadas por Lucky.

Um filme que merece ser visto por todos não apenas pela sua bela narrativa, mas também como um adeus ao excelente ator que foi Stanton que, assim como seu personagem, fez questão de se despedir do público de forma simples e honesta, como toda a projeção.

Marcado como último filme de Harry Dean Stanton, Lucky traz um ótimo exercício de despedida de um idoso de 91 anos com a vida e também do ator com as telonas. Lucky, ou “sortudo”, como ele mesmo diz, vive uma vida monótona, simples e rotineira embora, por trás disso, encontre um medo real vivido por …

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Lucky

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