Os Parças [Crítica sem spoilers]

Desde a Era de Ouro do cinema, comediantes atuavam em filmes não só em comédias, mas também em outros gêneros e, inclusive, muitos com grande destaque. Para citar alguns exemplos, temos monstros como Charles Chaplin, Bill Cosby, Jim Carrey e nosso querido conterrâneo Mazzaropi. A fórmula é bem antiga, mas, vamos ao filme em questão.

Os Parças conta uma história que se desenvolve em volta do quarteto principal do filme, formado por Toinho (Tom Cavalcante), Pilôra (Tirulipa), Romeu (Bruno de Luca) e Ray Van (Whindersson Nunes) que são enganados e chantageados pelo trambiqueiro Mário (Oscar Magrini) e têm de se virar para preparar o casamento da filha de um perigoso contrabandista da rua 25 de março chamado Vacário (Taumaturgo Ferreira). A partir daí, a narrativa se torna o que podemos chamar de uma grande exposição de imagens dos protagonistas e apenas isso.

Inicialmente a impressão que temos é que o filme vai retratar o cotidiano das pessoas que trabalham na 25 de março mas, a ideia se perde logo no começo, mostrando uma obra sem ritmo, coerência, foco ou estrutura. A cada cena montada, há uma quebra em relação à seguinte, algo que o diretor parece fazer questão de não corrigir na edição. O uso frequente de uma câmera sempre em close dos quatro protagonistas se abraçando e rindo parece uma tentativa desesperadora de dizer “olha, somos os parças, personagens título do filme”.

Sobre o elenco, temos Tom Cavalcante no papel de líder do grupo, em uma mistura de Ribamar e João Cana-Brava. O humorista faz as mesmíssimas piadas de sempre, mudando o tom (sem trocadilhos) de voz a cada cena. Em alguns momentos pensei que ele estava fazendo uma paródia de si mesmo ou então ignorou o fato que, no filme, ele é um personagem. Tirulipa, filho do deputado Tiririca, também interpreta a si mesmo e o que mostra em cena não é nada diferente do que apresenta em seus shows. Fazendo caras e bocas, é parceiro de Whindersson Nunes com piadas infantis e sem graça sobre flatulência e homofobia.

Whindersson, o segundo Youtuber mais influente do mundo, mostra que sua fórmula ainda não funciona no cinema. Nitidamente inexperiente em frente às câmeras, é possível perceber o quão fora de foco ele está diante de seus colegas, sem conseguir ao menos acertar os timings das cenas. Lembrando que os Youtubers tem participado de produções cinematográficas com regularidade, como foi o caso recente de Kéfera Buchmann. Por último, Bruno de Luca, digamos, que o único ator entre os quatro, mas não menos sofrível e desinteressante. Sem carisma e apenas servindo de ponte para piadas, seu personagem de nome Romeu serve apenas para tentar (sem sucesso) ser o par romântico de Cíntia (Paloma Bernardi).

Os Parças é um filme que não sabe o que quer e tenta explorar a imagem dos comediantes que compõem o elenco mas, falha miseravelmente. Uma comédia que não faz rir, com certeza tem problemas. Nem mesmo as participações de celebridades como Neymar, Wesley Safadão e até Carlos Alberto de Nóbrega, conseguem salvar o filme.

Desde a Era de Ouro do cinema, comediantes atuavam em filmes não só em comédias, mas também em outros gêneros e, inclusive, muitos com grande destaque. Para citar alguns exemplos, temos monstros como Charles Chaplin, Bill Cosby, Jim Carrey e nosso querido conterrâneo Mazzaropi. A fórmula é bem antiga, mas, vamos ao filme em questão. Os …

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Os Parças

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