Rodan O Monstro Gigante dos Céus (1956) [Review com spoilers]

Direção: Ishiro Honda
Estúdio: Toho
Duração: 82 minutos
Lançamento no Japão: 26/12/1956
Lançamento Mundial: 6/8/1957

Texto: King of Analogies

O que esperar daquele que provavelmente foi o primeiro tokusatsu japonês produzido a cores? Sim, Rodan, uma das obras que pertence ao universo de Godzilla é uma das poucas produções dos anos 50 que chegou aos cinemas japoneses colorida e foi lançada em quatro idiomas diferentes: japonês, mandarim, filipino e inglês.

O filme conta com três roteiristas, Takeshi Kimura, Takeo Murata (que também trabalhou no Godzilla de 1954) e Ken Kuronuma, que foi o principal roteirista e se inspirou na história de um suposto acidente relacionado a um UFO acontecido em Kentucky, no ano de 1948. O contexto histórico de um Japão que a pouco mais de uma década tinha sido derrotado na 2ª Guerra Mundial, além de registros de OVNI’s nos Estados Unidos e em todo o mundo, é o pano de fundo do filme que conta a origem de Rodan que viria ser, ao lado de Godzilla, um dos mais de 15 monstros da franquia.

Com direção de Ishiro Honda, a trama é repleta de mistérios e traz uma história bem emocionante que mostra, além do surgimento do monstro, a relação entre o homem e o meio ambiente. Tudo começa em uma mina de carvão situada na aldeia de Kitamatsu, na ilha de Kyushu, ao sul do Japão, onde ocorre uma inundação e logo é percebido que dois trabalhadores das minas desapareceram.

Começam então as suspeitas que eles teriam sido assassinados por um dos seus colegas de trabalho ou que teriam morrido afogados em um dos setores do local. Goro é colocado como o principal suspeito de ter matado os mineiros, mas também não estava sendo encontrado. Shigeru, interpretado por Kenji Sahara (ator que teria a carreira marcada por participar de vários filmes da franquia Godzilla e também na Família Ultra), é um dos chefes do setor de segurança da mina e noivo da irmã de Goro. Cabe a ele investigar a situação para provar a inocência do cunhado e entender o que estava acontecendo no local.

Uma observação interessante é que, na ilha de Kyushu, fica a cidade de Nagasaki que, apesar de não ser citada no filme, foi vítima do bombardeio nuclear durante a 2ª Guerra. A conjuntura histórica da época e a situação que o Japão passava, provavelmente afetaram diretamente a narrativa do filme, dando a ideia de que os habitantes do vilarejo próximo à mina estavam reconstruindo suas vidas após catástrofes recentes.

Agora começam os spoilers – Várias pessoas vão em busca de Goro e uma delas encontra o corpo do rapaz e de outras pessoas boiando nas águas de um dos setores das minas. Shigeru vai visitar a noiva e um monstro de quase dois metros de altura ataca a casa em que estão e destrói parte do imóvel. Eles conseguem fugir e o monstro assusta os moradores da aldeia local.

Posteriormente esse monstro receberá o nome de Meganulon e faz um barulho característico, semelhante a um Contador Geiger. Ele aparecer no filme antes do próprio Rodan e, durante quase metade da produção, rouba a atenção dos espectadores mesmo não sendo a criatura principal. Depois nos é explicado que os Meganulons servem de alimento para Rodan assim como a minhoca alimentaria um pássaro comum.

O protagonista, com seus 50 metros de altura, faz sua primeira aparição aos 37 minutos de filme. A narrativa mostra a origem do monstro, desde seu nascimento no ninho, até seus primeiros ataques a uma cidade grande. A grande surpresa para mim é a presença de uma possível família pois, além da presença de vários monstros no decorrer da história, podemos ver dois Rodans.

O design do nosso monstro principal é baseado no dinossauro Pteranodon que na forma original teria cerca de seis metros de envergadura. A diferença é que Rodan teria aproximadamente 50 metros de envergadura e seria capaz de voar mais rápido que o som. Aliás, o principal estrago causado por ele não é a radiação e sim as ondas de choque que gera ao voar em uma velocidade superior a 1020 km/h. Inclusive, os aviões que aparecem no filme (F86F) não conseguem alcançá-lo, apesar de já existirem aviões supersônicos na época, com capacidade de quebrar a barreira do som, eles não são usados na narrativa.

A destruição e mortes causadas pelos monstros faz com que a população local elabore um plano para destruí-los usando mísseis e o vulcão que serve de ninho para Rodan, no caso, o Monte Aso, tido como um dos mais potentes do Japão e que entra em erupção para ajudar a derrotar os gigantescos inimigos da humanidade. O plano elaborado para exterminar as criaturas funciona e, ao entrar em erupção, o vulcão faz com que elas saiam de seu ninho e ataquem a cidade em busca de outro lugar para viver e também de alimentos.

Cratera do Monte Aso

A relação da periferia e cidades pequenas de um Japão que começa a levantar-se uma década após a guerra é um dos principais focos do filme, que mostra como a população lidava com esse passado tendo que reconstruir suas vidas, além da relação com as adversidades da natureza. Nesse contexto, Rodan nada mais é que uma representação dos estragos causados na vida dessas pessoas que viviam nas regiões mais pobres do país.

Dr. Kashiwagi traz o dilema de matar o monstro ou de alguma forma preservá-lo para estudos científicos, mas é uma questão pouco discutida no decorrer do roteiro.

Para mim, a conclusão é que, mesmo que a erupção vulcânica tenha atuado contra a criatura, o principal culpado pelos ataques dos monstros é a ação humana que estava invadindo o território do animal, no caso, o subsolo da mina de carvão. O uso da natureza como aliada para eliminar o problema que os próprios humanos criaram gera toda discussão ambiental do homem estar ‘invadindo’ o espaço natural e tendo que procurar estratégias para sobreviver ao próprio impacto ambiental que causa.

No final é um ótimo filme, que traz boas reflexões e com um desfecho bem diferente do primeiro Godzilla, uma vez que não temos uma arma definitiva contra o monstro como no filme de 1954. Por isso, a minha avaliação é quase no mesmo nível por mostrar que a cidade teve tomar uma medida bem diferente da esperada para ‘vencer’ a catástrofe causada por Rodan.

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One comment

  1. kingofanalogies

    aeee fico muito feliz que a minha resenha foi publicada. Obrigado.
    Boas imagens.

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