De mulher pra mulher: Girls in Trouble

Precisamos falar sobre Girls in Trouble. Mas precisamos muito mesmo, especialmente no meu caso e de mais um monte mulheres fãs de tokusatsu espalhadas por aí!

Devido a um monte de questões culturais e mercadológicas sobre as quais já conversamos anteriormente, sabemos que os heróis das séries japonesas, em sua maioria esmagadora, são homens prontos a defender Tóquio o universo! Esporadicamente vai surgir uma protagonista com uma série só pra ela como a Patrine mas, no geral, a cota de garotas nos super sentais e as ajudantes dos Riders ou Ultras e outras franquias representam a participação feminina nos tokusatsus.

Adianto que, até o momento, só assisti o prólogo em questão, sem ter acompanhado ainda o filmão principal Uchuu Keiji Gavan vs. Tokusou Sentai Dekaranger, exatamente para não influenciar o meu julgamento sobre a produção em si. Destaco também que a ideia desse texto não é listar um milhão de referências que o filme pode conter, até porque não tenho bagagem suficiente para isso. Meu foco, aqui e agora, é ressaltar essa reviravolta (ainda em desenvolvimento) na representatividade das mulheres nos tokusatsus e como ela foi lindamente repensada nesse filme.

[CUIDADO PODE CONTER SPOILERS!!]

Primeiro, vale ressaltar que o filme é composto única e exclusivamente por mulheres, da vilã às mocinhas, passando por diretoras, comandantes e auxiliares. Os únicos homens que aparecem na tela são coadjuvantes que acabam mortos e um famoso cachorro azul 😛 Isso já é responsável por criar um clima todo especial na trama e mostrar que a ideia é deixar nas mãos das representantes femininas a solução para os problemas apresentados.

A escolha dessa linha pode levar alguns espectadores a pensarem que os desafios seriam mais leves, talvez com um aumento dos alívios cômicos ou uso excessivo de clichês do universo feminino. Quando o sangue chega a jorrar e as moças lutam por suas vidas em uma situação de confinamento, com sensação de urgência bem construída, é aí que mora o diferencial desse filme. Tanto a direção de Koichi Sakamoto quanto o roteiro de Naruhisa Arakawa podem ser aplicados a qualquer personagem de tokusatsu e isso é sensacional!

As cenas de luta são maravilhosamente coreografadas, fortes e com o bônus das pernoquinhas de fora, um clássico dos tokusatsus. Essa qualidade também se aplica às personagens, que são típicas heroínas das séries japonesas com seus poderes, dilemas e aquela garra misturada com princípios para salvar os que estão em perigo. Para os fãs de sequências de treinamento e lutas com personagens civis, o filme também é um prato cheio, mais uma vez sem deixar nada a desejar em comparação com as boas produções já feitas.

Em resumo, Girls in Trouble não coloca as meninas somente num mundo cheio de arco-íris e funções secundárias a serem realizadas, elas literalmente são as protagonistas que se igualam (e até superam) qualquer herói já visto no gênero. Ao mesmo tempo, o ambiente criado, como já citei aí em cima, nos lembra constantemente que essa é uma aventura de tokusatsu diferenciada, cheia de girl power, risinhos incontidos, conversas sobre romances e rapazes, tudo como parte da construção de uma missão que só pode ser executada por mulheres.

Para mim, o maior mérito do filme é exatamente a capacidade de manter a delicadeza com um toque de ingenuidade das personagens que já conhecemos nos modelos tradicionais e mostrar o lado mais poderoso dessas mulheres que tomam o protagonismo nas mãos para superar as adversidades sem a presença de suas equipes completas, trabalhando em equipe e fortalecendo umas às outras. Sem contar a importância da escolha de uma produção com um foco tão específico para anteceder o início da convergência de um universo de heróis!

Os detalhes sobre momentos, citações ao Date-San e eventuais beijocas eu comento na minha participação no SenpuuCast sobre Girls in Trouble que vai sair em breve aqui no site do Senpuu! Fique ligado e mande suas opiniões sobre as minhas ideias carregadas de orgulho e alegria postadas neste singelo textinho :*

About Patrine

Patrine atende, às vezes, pelo nome de Ana Carolina Dias é produtora de conteúdo do site e editora do Senpuucast. Também é jornalista, fez estágio como assistente de produção em rádio e atualmente trabalha como editora de web.

3 comments

  1. Meu Deus Patrine, não me mata de susto. Já achei que o post ia ser textão problematizador lacrador em prol das manxs mostrando o feminismo na produção.
    Para o meu óbvio alívio não foi. Muito bem dito no fim do post: elas mostraram sua força sem sacrificar a delicadeza e formosura caracteristicos do feminino.
    Tirando o fan service óbvio do Sakamoto o filme é bem legal. Minha critica fica no resgate da Herbaira, ela foi uma vilã tirada do…. deixa pra lá kkk. Assim podiam ter dado uma referencia dela ser assim ,como por exemplo, que seria uma vilã que se autoreformou aos moldes da tecnologia de Waller, os vilões de Spielvan que originalmente alteraram Helen, a irmã do protagonista e Herbaira original. Ao contrário do que foi com Macgaren, a explicação sobre ela foi confusa e muito superficial.
    De resto foi um bom filme pela atuação das meninas, só senti falta de uma parte mais atuante (no sentido de ação) da Shishi , a parceira do novo sharivan.

  2. Luís Henrique Médici Valverde

    Patrine parabéns pelo ótimo texto, o filme é exatamente o que você disse, eu gostei muito dele, assim como vocêdescreveu no texto, me surpreendeu que não houveram citações ao feminismo (o que já me ganhou, as meninas foram elas mesmas, inocentes, guerreiras, o roteiro deixou as menimas como protagonistas de fato, e nos diálogos sendo do próprio universo feminino). O filme realmente mostrou que é possível sim com um roteiro muito bem escrito, um diretor que realmente sabe conduzir o filme com cenas de ação e drama (além de ter a coragem de trazer o sangue e uma maior violência de volta), e atrizes que realmente são protagonistas e o mais importante não são apenas carinhos bonitas estão lá pra dar conta do recado (o que o comandante diz pra Birdie foi perfeito).
    Patrine estou ansioso pelo senpuucast e realmente eu espero uma continuação com as protagonistas (e outras, fiquei decepcionado com a Shishi, porém achei muito boa a sacada dela ter realmente ficado com medo e emocionalmente afetada, o que na minha opinião humaniza os personagens e mostra que até oseu heróis possuem limites), um abraço Patrine e a todos do Senpuu espero que este novo universo tokusatsu realmente cresça porque mostrou que tem muito potencial.

  3. Luís Henrique Médici Valverde

    PS: Me perdoe os erros de português tentei arrumá-los, porém não consegui estava no celular e daí o corretor em vez de ajudar piorou (ajuntando palavras e/ou substituindo o gênero das palavras ex carinho era carinhas)

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