Review: Day of the Doctor

day-of-the-doctor
Talvez hoje não fosse um bom dia para fazer um review sobre o especial de 50 anos de Doctor Who, afinal eu acabei de sair de uma sessão cheia de fãs loucos como eu. No entanto, aqui no Senpuu, sempre me permitiram escrever de forma muito autoral, então, escolhendo este dia, eu consigo fazer transparecer algo que foi tão importante hoje: a emoção.

Para quem não sabe o que é esta série, Doctor Who conta as aventuras de um alienígena imortal, o Doctor , em sua cabine telefônica/máquina que viaja no tempo e espaço, chamada Tardis. A série estreou no dia 23 de novembro de 1963, um dia após o assassinato de JFK, foi cancelada em 89, voltou em um filme em 96, mas retornou mesmo em 2005. A produção, porém, mantém cronologia de todo esse tempo. O Doctor tem o poder de se regenerar sempre que próximo da morte,  mas voltando com aparência e personalidade totalmente diferente, estando hoje em dia no papel Matt Smith, o número 11. Portanto, temos aí uma série com 50 anos nas costas e este especial celebra isso de forma espetacular.

Sem entrar em spoilers, como não poderia deixar de ser, esse foi um grande tributo à série e um enorme fanservice. Cada encarnação do Doctor e um número enorme de seus companheiros humanos teve um pequeno detalhe para ele. Além disso, a série traz de volta dois dos personagens mais queridos da nova geração, o 10o Doctor e Rose Tyler. Sem exagero, a primeira aparição deles foi seguida por urros e gritos no cinema, algo realmente incrível de se ver.

Fanboys enloquecendo nesse momento

Fanboys enloquecendo nesse momento

Mas, dizer que Day of the Doctor foi apenas isso seria uma enorme injustiça. Esse especial foi feito para ser uma grande e apoteótica conclusão do final da 7a temporada e o fez magistralmente. O roteiro afiado pegou todos esses elementos de fanservice e fez um enorme episódio galgado nos três protagonistas e que se encaixou perfeitamente no que vinhamos vendo. E digo ainda mais, foi corajoso em sua conclusão, pois chacoalhou as bases que a série vinha usando desde 2005 e deu um novo rumo, tudo isso de uma forma que fez total sentido. Day of the Doctor não foi só a celebração de 50 anos, foi o chute inicial de mais uma era.

Desde seu retorno, a série foi muito calcada nos resquícios da Guerra do Tempo, um evento terrível do passado do Doctor. Esse especial mostrou em parte este conflito, o que é sempre um grande risco. No entanto, foi mostrado apenas o suficiente para trazer ao público a armação da trama, um evento do qual nós apenas ouvíamos falar. Com isso, o escritor principal da série e autor desse especial, Steven Moffat, foi audacioso. Ele ousou ir em pontos sensíveis da trama que já se prolonga por 7 anos. Mas felizmente foi muitíssimo bem sucedido.

E ele não foi o único. A série tem fantásticos atores, sempre teve, e aqui eles foram brilhantes. Os três protagonistas, David Tennant, Matt Smith e John Hurt, são magnéticos. Eles possuem uma química brilhante que funciona bem tanto nas cenas mais engraçadas tanto nas dramáticas, algumas vezes até ao mesmo tempo. Jenna Coleman, que vive a atual companheira de aventuras do Doctor, Clara, mostrou ainda mais quanto é boa atriz. Aqui ficam os meus dois pequenos problemas. Primeiro a falta do primeiro Doctor da nova era, Christopher Eccleston. E segundo que o elenco de apoio poderia ser mais carismático.

Estamos aqui para chutar bundas e salvar mundos.

Estamos aqui para chutar bundas e salvar mundos.

Tudo isso culminou com um final especialíssimo. Eu, honestamente, fui surpreendido com o caminho que o especial trilhou, sendo que conseguiu criar um evento que ao mesmo tempo muda tudo sem mudar nada. Acreditam, isso para um Whovian faz todo o sentido. Day of the Doctor termina com uma sequência de cenas absolutamente surpreendentes, cheias de aparições especialíssimas e cenas de todas as encarnações de nosso herói. Todas. E a conclusão foi, bem ao estilo da série, doce e sensível. Admito, caros leitores do Senpuu, verti lágrimas por tudo que vi.

No final das contas, Day of the Doctor foi sobre isso. Despertar emoções em nós fãs. Foi tudo que vivemos na séries, mais muito maior. Eu vi num cinema lotado e era visível o envolvimento das pessoas. O público gritava, chorava, ria e se debulhava  a cada acontecimento. Acho que poucas vezes eu percorri uma montanha russa emocional tão violenta, e poucas vezes saí tão satisfeito de uma sala de cinema.

Amigos, eu digo que Day of the Doctor não foi um especial perfeito, mas foi sim um evento perfeito.

1476433_588308934557135_989236672_n

 

About Luiz Gustavo Mendes

2 comments

  1. Olá pessoal

    Não tenho palavras para falar. O que dizer? O Luiz Gustavo falou tudo, pois um dos melhores episódios desta série que eu já vi.

    Vi aqui no Rio de Janeiro no Planetário da Gávea num evento realizado pelo Concelho Jedi Carioca e a Whovians Brasil. Não me arrependi.

    Fora isso muitos fãs do Doutor estão dizendo que o mesmo é um tokusatsu por possuir vários elementos nele que são:

    *Há filmes/especiais onde todas as gerações se encontram;
    *Inimigos e monstros com fantasia de plástico/borracha;
    *Há filmes/especiais que servem para apresentar a próxima geração;
    *O principal encontro no filme/especial é entre a geração atual e a anterior.

    Assim, o Doutor Who é um tokusatsu. Um dos melhores já produzidos.

    Até mais

  2. É, eu estive lá e devo dizer que ainda que o que sentimos e vimos nunca estará ao alcance do mais vasto dos vocabulários, o que foi dito no texto é o mais próximo que se pode chegar. Parabéns pelo texto, senhor *Guto*, e obrigada pela companhia naquele momento memorável.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*