G.I. Joe: Retaliação [Crítica]

gi_joe_retaliation_ver26G.I. Joe: Retaliação
(G.I. Joe: Retaliation, 2013)
Ação – 110 min.

Direção: Jon M. Chu
Roteiro: Rhett Reese e Paul Wernick

Crítica por Alexandre Landucci

com: Dwayne Johnson, Jonathan Pryce, Channing Tatum, Adrianne Palicki, D.J. Cotrona, Ray Stevenson, Bruce Willis, Ray Park, Byun-hun Lee

Sou uma cria dos anos 80. Durante minha infância tive uma dieta de Toddynho, chocolates Lollo e Charge, bolachas Negresco e muito Changeman, Gavan, Jaspion, Transformers, Thundercats e Comandos em Ação na tv. Além de assistir, tinha (e ainda tenho) brinquedos da maioria dessas series e desenhos que acompanhava na infância. Portanto, falar de um live-action de “Comandos em Ação” (sim, pra mim sempre serão Comandos em Ação) é um misto de nostalgia e dever profissional.

Aqueles molequinho de 12 anos que vibra a cada blockbuster divertido que assiste sempre me cutuca para que eu dê crédito a essas aventuras coloridas e cheia de explosão. Por outro lado, meu profissionalismo me impede de entrar no “modo fã xiita e maluco” e ignorar os muitos problemas que essa segunda aventura dos Joe’s tem.

A própria ideia de uma força tarefa norte-americana (nos desenhos isso foi expandido a uma força tarefa internacional, mas enfim isso não vem ao caso) que patrulha o mundo contra o terror é uma ideia absolutamente datada e que só tinha realmente ressonância nos anos 80 quando Rambo, Schwarzenegger, Top Gun e os demais símbolos da força bélica americana eram considerados inatingíveis e reais protetores da paz da humanidade.

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Hoje é muito mais complicado adaptar esse conceito a uma realidade que impede uma “polícia do mundo”, portanto o conceito inocente e até ingênuo de uma organização que salva a humanidade não funciona mais. Por isso, a opção desse segundo G.I. Joe é a da conspiração nos mais altos níveis governamentais dando sequência aos movimentos orquestrados no primeiro filme da franquia. Para quem não lembra a substituição do presidente americano por um membro da organização Cobra que imita os trejeitos e com ajuda da tecnologia é transformado no já citado presidente.

A partir daí com os Cobra no comando do governo americano, os Joes são perseguidos e depois de uma operação, praticamente destruídos. Os remanescentes decidem revidar apelando para o primeiro dos Joe (na participação breve e desnecessária de Bruce Willis, que parece estar fazendo todos os filmes do mundo) na tentativa de salvar o mundo. Previsível até o último frame.

Quem continua roubando a cena é o ninja favorito de toda uma geração (não, não era o Jiraya) Snake Eyes, o calado personagem que se veste de preto e usa espadas melhor que ninguém. É dele a sequência mais impressionante da produção e que envolve uma fuga no monastério/casa de cura mais mal localizada do planeta, parkour por montanhas, briga de ninja praticamente na vertical e um corpo ensacado.

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O protagonismo da trama cabe a The Rock (ou Dwayne Johnson) que faz o que se espera de um herói de ação: desce o braço sem dó, tendo direito a uma cena onde atira com sua arma apoiada na cintura no melhor clima anos 80. Por outro lado, os coadjuvantes da vez Flint (D.J. Cotrona) e Lady Jane (Adrianne Palicki) não são marcantes como eram os do primeiro filme.

E mesmo com a presença visual interessante do Comandante Cobra, o plano de dominação global é genérico e rende momentos de vergonha alheia como uma sequência – já na parte final da projeção – que envolve bombas nucleares, ou mesmo a indefectível coleção de piadinhas que causam sorrisos amarelos. Por outro lado a ação é bem orquestrada embora não passe de genérica, ou seja, você já viu aquilo antes muito melhor.

Em meio à nostalgia de rever seus brinquedos de infância (de novo) na tela grande, essa segunda aventura dos soldados da polícia do mundo é divertida por esse fator, por momentos de referência aos anos 80 (como o famigerado jipe dos Joe’s que finalmente deu seu ar da graça) e por ter sequências de ação que não incomodam. Por outro lado, o texto continua absurdo, pobre e resvalando no ridículo. Mas, o que se pode esperar de um filme que adapta bonecos para o cinema?

About Alexandre Landucci

Dizem que é crítico de cinema, dizem que é um cara legal e dizem também que pode ser bem ranzinza. Outros, no entanto, dizem que “as vezes” ele acerta no que fala, enquanto outros – ele deve pagar essas pessoas – gostam do trabalho dele. Fã de Galactica, Doctor Who, Hayao Miyazaki, David Cronenberg, Dario Argento, Orson Welles, Grant Morrison, Neil Gaiman e comprador compulsivo de filmes.

2 comments

  1. é… uma coisa que não gostei… foi o duke ser escanteado no filme… mas né… é um filme legalzinho.. dá pra se divertir vendo ele 😀

  2. Realmente como filme ele falha em atender os requisitos tecnicos, mas se formos ver as aventuras que imaginavamos quando brincavamos com os bonecos dos Comandos em Açao eram absurdas e sem pé nem cabeça entao esta na medida era o que eu queria ver Ninjas lutando, soldados atirando com armas que nem no artwork que tinha nas embalagens dos bonecos, e alguns cenarios lembram aquelas propagandas que os caras montavam uma maquete aburda de impossivel de fazer em casa so pra voce comprar o boneco.

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