Oscar 2013: aquele das barbas, dos cabelos e do apresentador meia-boca – Os premiados

Texto originalmente publicado no blog Fotograma Digital e de autoria de Alexandre Landucci

Hora de falar sério. Hora de falar sobre os vencedores dos Carecas de Ouro, o prêmio mais importante… bla bla bla… enfim vocês sabem. Também sabem que o Oscar não é o maior dos símbolos de qualidade em produção cinematográfica no mundo (nem mesmo nos Estados Unidos), mas é o mais famoso, cheio de glamour, que reúne as estrelas e que todo ator deseja ganhar (mesmo aquele pessoal que desdenha).

Esse ano, como os leitores bem informados do Fotograma sabem, a Academia se enrolou toda no anúncio de seus indicados. Adiantou o processo de votação, deu a opção do voto online e no fim das contas acabou não indicando Ben Affleck nem Kathryn Bigelow para direção e talvez tenha esquecido de uma ou outra atriz (Marin Cotillard por Ferrugem e Osso merecia um lugar), ator (John Hawkes por As Sessões) e até mesmo filmes (por que o Mestre o melhor filme americano de 2012 não foi indicado é um assombro).

Mais, isso já foi, e não adianta debater os cada vez mais políticos e estranhos conceitos e critérios que a Academia tem. O fato é que esse Oscar foi o mais disputado dos últimos … sei lá quantos anos. E por culpa da própria Academia, que ao ignorar Ben Affleck, abriu a possibilidade de uma surpresa por aí. Seria Argo um filme menor? Seria a vez de Spielberg? Ou de Ang Lee? No fim, o prêmio seguiu a tendência na maioria das categorias já vistas em outras premiações.

No fundo, cada dia mais o Oscar é mais um “carimbão” que lacra a caixa do filme/ator/diretor vitorioso depois de ela ser cheia com todos os troféus ganhos até ali. O Oscar caiu no óbvio. Por quê? É uma resposta direta a quantidade obscena de premiações que foram criadas justamente para contrabalancear a opinião única e solene da Academia. O mais antigo deles, o Globo de Ouro, há tempos não é mais parâmetro, mas em geral coincide seus premiados com o Oscar até mesmo quando das surpresas (esse ano foi uma prova disso). Já os prêmios de Sindicatos, foram a resposta dos profissionais a eventuais “absurdos” cometidos pela Academia e hoje servem como parâmetro para o Carecão. E por fim, os prêmios da crítica cada vez mais pulverizados devido à popularização da profissão. Praticamente toda cidade tem seu sindicato e eles também funcionam no buzz do filme campeão.

Somando-se tudo isso aos tais critérios do Oscar não fica tão difícil adivinhar quem leva o prêmio, embora (meu bolão que o diga) existam pequenas surpresas ou dúvidas.

Ufa… vamos então à festa, que para não deixar o texto absurdamente longo não será dissecada prêmio a prêmio, mas avaliada filme a filme, o que acho mais fácil de entender, explicar, agrupar.

Comecemos pelo grande “perdedor” da noite: Lincoln. Com incríveis doze indicações, levou para casa apenas duas, sendo que uma delas (direção de arte/design de produção) foi um dos poucos reais absurdos da festa. O trabalho desse quesito no filme é evidentemente ótimo, principalmente como recriação de época, mas tinha como concorrente o mais belo trabalho em anos indicado ao prêmio: Anna Karenina. O que foi realizado nessa produção é algo verdadeiramente único e muito original.

A ideia de misturar cenários teatrais com cinema é de uma inteligência e resultado prático impecável. Além de ter vencido o Sindicato, ou seja, deram para não ficar feio para o filme do tio Steven. O outro prêmio da noite para Lincoln, foi aquele que somente uma invasão alienígena ou bombas atômicas tirariam de Daniel Day-Lewis, melhor ator. Entregue por Meryl Streep (que parece sequer ter aberto o envelope) esse era o prêmio mais fácil de ser previsto de todo o Oscar. E não é nada injusto, já que Day-Lewis (pra mim) é o maior ator de sua geração. Joaquin Phoenix poderia ter vencido, sim, mas ele conta com uma rejeição brutal na Academia e o fato dele esnobar (ou fingir que esnoba) esse tipo de premiação só depõe contra.

Rick Carter, um dos vencedores de design de produção/direção de arte por Lincoln

Rick Carter, um dos vencedores de design de produção/direção de arte por Lincoln

Daniel Day-Lewis e seu terceiro Oscar de Melhor Ator

Daniel Day-Lewis e seu terceiro Oscar de Melhor Ator

Já que citei Anna Karenina aproveito para falar do prêmio que o filme levou, um merecido Oscar de figurino. Vencedor do sindicato concorria com outro vencedor do Sindicato (que se divide sempre entre fantasia, histórico e contemporâneo) a falecida Eiko Ishioka por Espelho, Espelho Meu. Teria sido uma chance homenagear Ishioka, mas seu trabalho apesar de muito criativo no filme (que é uma bomba sejamos sinceros), perdeu para a elegância clássica dos figurinos criados por Jacqueline Durran.

Falando em mulheres do Oscar, já passemos à outra surpresa do prêmio (injusta): a premiação de animação. Valente foi o escolhido em detrimento a dois trabalhos mais redondos e um potencial favorito: Detona Ralph e ParaNorman (o meu favorito) e o possível vencedor, Frankenweenie de Tim Burton. A opção pela história “fofinha” de Valente foi uma saída obvia: é da Pixar então leva.

Jacqueline Durran, vencedora de Melhor Figurino por Anna Karenina

Jacqueline Durran, vencedora de Melhor Figurino por Anna Karenina

Mark Andrews (de kilt, olha só) e Brenda Chapman, vencedor de longa de animação com Valente.

Mark Andrews (de kilt, olha só) e Brenda Chapman, vencedor de longa de animação com Valente

Se Lincoln foi um dos “perdedores”, A Hora mais Escura foi ainda pior. Polêmico demais para ser enquadrado como filme de Oscar, a produção de Kathryn Bigelow foi indicado a cinco prêmios, levando apenas um e ainda assim, num insólito empate em categorias técnica. A equipe de edição de som levou o único prêmio da noite para o time de Bigelow ao empatar com o time de 007: Operação Skyfall.

Esse foi o primeiro de dois prêmios para Skyfall. Como esperado – e muito merecido – Adele e Paul Epworth levaram o prêmio de melhor canção, com a bela Skyfall, um dos grandes temas da história do agente secreto, nesse que foi o primeiro tema de Bond a ganhar um Oscar. Um dos prêmios que tinha apostado (mesmo imaginando que não levaria) que Skyfall poderia levar também era o de fotografia, graças ao trabalho deslumbrante de Roger Deakins, esse eterno injustiçado. Sobrou para o igualmente ótimo dublê de Thor/Lúcio Malfoy/Edin do Jaspion, Claudio Miranda, responsável pela magia de Aventuras de Pi.

Paul N.J. Ottoson, vencedor de edição de Som por Hora mais Escura

Paul N.J. Ottoson, vencedor de edição de Som por Hora mais Escura

Per Hellberg e Karen M. Baker vencedores de edição de Som por 007: Operação Skyfall

Per Hellberg e Karen M. Baker vencedores de edição de Som por 007: Operação Skyfall

Paul Epworth, Adele vencedores na categoria Melhor Canção e Richard Gere, um dos apresentadores do prêmio

Paul Epworth, Adele vencedores na categoria Melhor Canção e Richard Gere, um dos apresentadores do prêmio

Aventuras de Pi que chegou a festa com onze indicações e saiu-se como o “grande vencedor” da noite. Somada a estatueta de Miranda para fotografia, levou ainda efeitos visuais, trilha sonora e direção.

O prêmio de efeitos visuais causou polêmica, já que a empresa da equipe responsável pelos efeitos visuais do filme teve de encerrar as atividades, e um discurso político foi iniciado na premiação. Mais tarde Ang Lee deu declarações infelizes a respeito da questão do preço dos efeitos visuais no mercado e como isso pode ter influenciado no fechamento da empresa. Já o prêmio de trilha sonora para Michael Danna é bastante justo. Dentre os indicados, ao lado de Thomas Newman por Skyfall eram – pra mim – as mais corretas.

E chegamos ao prêmio de direção, que foi surpreendente embora possa ser “explicado”. Vamos lá: Lincoln começou a disputa como favorito, mas no decorrer da corrida foi perdendo força, perdendo tudo para Argo, incluindo o prêmio do sindicato dos diretores. Como vocês sabem Ben Affleck não estava entre os indicados, deixando – em teoria – o caminho livre para Spielberg. Mas, como explicar a vitória de Spielberg como diretor e de Argo como filme com uma resposta diferente de: “erramos pessoal, esqueçam o prêmio de direção, que foi só de consolação”. Por isso, Ang Lee corria por fora, num filme gracioso, fácil de gostar e que é tecnicamente absurdo. Por isso, o taiwanes levou seu segundo prêmio, novamente quando seu filme não venceu o Oscar. Embora daquela vez tenha sido o vencedor merecido e aqui leve por uma questão política.

Os Vingadores reúnidos. Homem de Ferro, Gavião Arqueiro, Nick Fury, Hulk e Capitão América. Ao centro Thor, ou melhor Cláudio Miranda, vencedor de melhor fotografia por Aventuras de Pi

Os Vingadores reúnidos. Homem de Ferro, Gavião Arqueiro, Nick Fury, Hulk e Capitão América. Ao centro Thor, ou melhor Cláudio Miranda, vencedor de melhor fotografia por Aventuras de Pi

O time de efeito visuais de Aventuras de Pi, vencedores na categoria.  Bill Westenhofer, Guillaume Rocheron, Erik De Boer e Donald Elliott

O time de efeito visuais de Aventuras de Pi, vencedores na categoria. Bill Westenhofer, Guillaume Rocheron, Erik De Boer e Donald Elliott

Michael Danna, vencedor de melhor trilha sonora por Aventuras de Pi

Michael Danna, vencedor de melhor trilha sonora por Aventuras de Pi

Ang Lee, melhor diretor por Aventuras de Pi

Ang Lee, melhor diretor por Aventuras de Pi

Politicagem que explica (as pedras vão rolar agora) a quantidade de indicações a Os Miseráveis. Foram oito, levando para casa três: maquiagem, atriz coadjuvante e mixagem de som. Maquiagem por pura falta de concorrentes, num dos piores (senão o pior) ano da categoria no Oscar. Mixagem por reconhecimento a dificuldade de fazer o público compreender aquele mundaréu de gente cantando, gritando, chorando, rindo e ainda sem contar com as bombas, tiros e a orquestra.

E por fim, Anne Hathaway. Acho Hathaway uma tremenda atriz, das mais versáteis no mercado. Capaz de se afundar na depressão em Casamento de Rachel (quando poderia ter levado um careca), de rir de si mesma e ficar nua (para minha alegria) em Amor e Outras Drogas e de cantar como em Miseráveis. Que se leve em consideração que seu tempo de tela é praticamente risível (embora Judi Dench tenha vencido em Shakespeare Apaixonado por menos tempo ainda) ela cortou o cabelo, perdeu peso e cantou “I Dreamed a Dream”, canção símbolo do musical e reconhecida em quase todos os lugares do mundo, graças a Susan Boyle. Portanto, tinha a cara do Oscar. Amy Adams merecia mais? Talvez, mas o dia em que a academia der um Oscar para uma atriz que simula uma masturbação em um filme, choverá canivete.

Lisa Westcott e Julie Darnell, vencedoras de melhor maquiagem por Os Miseráveis

Lisa Westcott e Julie Darnell, vencedoras de melhor maquiagem por Os Miseráveis

O time da mixagem de som de Os Miseráveis vencedores do prêmio: Andy Nelson, Mark Paterson e Simon Hayes

O time da mixagem de som de Os Miseráveis vencedores do prêmio: Andy Nelson, Mark Paterson e Simon Hayes

Anne Hathaway beijando seu Careca de atriz coadjuvante

Anne Hathaway beijando seu Careca de atriz coadjuvante

O Oscar premiou Searching for Sugar Man como documentário – o que era previsível – diante da quantidade de prêmios que ele vem levando mundo afora. Entre os curtas-metragem (que como sabem não apostei) Inocente – documentário – e Curfew – entre os de ficção – foram premiados. A Disney fez dobradinha entre as animações levando também o prêmio de curta, pelo lindo Paperman, que foi exibido nos cinemas junto a Detona Ralph.

Amor levou o prêmio que dele se esperava, o de filme estrangeiro. Dessa vez Michael Haneke não foi surpreendido por outro filme sul-americano como aconteceu quando A Fita Branca perdeu para Segredo de seus Olhos. Não é nenhum segredo (perdoem-me pelo trocadilho) que Amor é meu filme favorito dentre os nove indicados ao prêmio e que votaria nele, tanto para filme, como direção, atriz e roteiro original. Mas na lógica da Academia, Amor se contentou com aquilo que lhe foi oferecido. Um lugarzinho na festa, um clipe entre os indicados e o prêmio do melhor “dos outros”.

Vencedores por melhor documentário com Searching for Sugar Man,  Malik Bendjelloul e Simon Chinn

Vencedores por melhor documentário com Searching for Sugar Man, Malik Bendjelloul e Simon Chinn 

Vencedores de melhor curta-metragem documental por Inocente,  Sean Fine e Andrea Nix

Vencedores de melhor curta-metragem documental por Inocente, Sean Fine e Andrea Nix

O vencedor na categoria melhor curta-metragem de ficção por Curfew, Shawn  Christensen

O vencedor na categoria melhor curta-metragem de ficção por Curfew, Shawn Christensen

O vencedor na categoria de melhor curta-metragem de animação por Paperman, John Kahrs, com os apresentadores da categoria Paul Rudd e Melissa McCarthy

O vencedor na categoria de melhor curta-metragem de animação por Paperman, John Kahrs, com os apresentadores da categoria Paul Rudd e Melissa McCarthy

Michael Haneke recebendo seu prêmio como melhor filme em língua estrangeira, por Amor

Michael Haneke recebendo seu prêmio como melhor filme em língua estrangeira, por Amor

O Lado Bom da Vida que chegou ao prêmio com oito – exageradas – indicações, saiu da festa apenas com o reconhecimento de Jennifer Lawrence como melhor atriz. Que pese o fato de Emmanuelle Riva “chutar bundas” em Amor, Jennifer é magnética e digo isso não apenas por sua beleza. Fora das câmeras parece sempre estar de bem com a vida ou não levando a sério essa “coisa de ser atriz”, e seu trabalho em Lado Bom da Vida, se não é a melhor coisa do mundo, é muito bom. Ela é jovem, bonita, talentosa e agora oscarizada. Quem pode com ela?

Outras duas surpresas da noite vieram para os dois prêmios de Djangooooooo (perdoem os “o” excessivos, mas é inevitável). Das cinco indicações, levou duas, o que dá um cociente de aproveitamento maior do que todos os outros indicados a melhor filme (informação inútil, eu sei). A vitória de Quentin Tarantino por melhor roteiro original foi surpreendente e – mesmo com um roteiro que não é seu melhor na minha interpretação – vale como delírio cinéfilo. Venceu Hora mais Escura, que mesmo sendo favorito, não ganhou minha aposta, exatamente pela campanha negativa por trás do filme. Imaginei que Amor pudesse levar também, mas a força da figura de Tarantino parece ter prevalecido diante dos maneirismos de Moonrise Kingdom, a frieza de Amor, os problemas de resolução de O Voo e a já citada polêmica de Hora mais Escura. Spike Lee não deve ter gostado.

Christoph Waltz – o maior poliglota do planeta – levou seu segundo prêmio de ator coadjuvante, em sua segunda indicação, em seu segundo filme de Tarantino fazendo praticamente o avô do personagem que lhe rendeu seu primeiro Oscar. Piadas a parte, dos cinco indicados apenas Alan Arkin (apesar de divertido), me pareceria uma escolha “estranha”. Se Tommy Lee esbanja verborragia em Lincoln, DeNiro está desfilando emoção em Lado Bom da Vida e Philip Seymour Hoffman (minha escolha) é um absurdo em O Mestre. No fim prevaleceu Waltz, que espero que se acerte com mais frequência fora da alça de Tarantino.

J. Law e seu careca de melhor atriz

J. Law e seu careca de melhor atriz 

Tarantino e seu prêmio de roteiro original

Tarantino e seu prêmio de roteiro original

Christoph Waltz (ao lado de Octavia Spencer) vencedor como ator coadjuvante

Christoph Waltz (ao lado de Octavia Spencer) vencedor como ator coadjuvante

E chegamos a Argo, o vencedor de três das sete indicações. A vitória em montagem para William Goldenberg é mais do que justa, já que sem ela o filme simplesmente não funcionaria. Apesar de óbvia, afinal é um thriller, ela cumpre o que dela se espera, mantém o espectador preso e ansioso pela conclusão dos fatos apresentados. Já o prêmio de roteiro adaptado foi o que indicou o caminho que a Academia iria seguir. Concorrendo diretamente com Lincoln, o roteiro de Chris Terrio foi escolhido e de todos os apresentados, me parece o mais certinho, ideal para a Academia. Não tem os excessos verborrágicos de Lincoln, os simbolismos de Indomável Sonhadora, as metáforas religiosas de Pi e melodrama por melodrama, apostou-se na história de Argo em detrimento a família disfuncional de Lado Bom da Vida.

É o mesmo raciocínio que faço em relação ao prêmio de Melhor Filme. Argo é o melhor dos nove indicados? Jamais. Mais é o ideal para sair-se vitorioso de uma festa da Academia que sempre opta pelo filme do consenso e da obviedade, o que não significa reducionismo, mas apenas simplicidade. Analisemos os indicados: Amor é frio e doloroso demais para o Oscar, Django Livre é violento e ainda contou com a polêmica da “the N word”, polêmica que vitimou o político e ousado Hora mais Escura enquanto o hermetismo de Indomável Sonhadora jamais seria vitorioso. Sobram cinco indicados: Pi, Lincoln, Miseráveis, Argo e Lado Bom da Vida.

Pi é simbólico, cheio de momentos sublimes e singelos, mas em resumo – e por mais que adore o filme – é a história de um garoto e um tigre de CG no mar. Já O Lado Bom da Vida é um filme de atores e por mais que os Weinstein tenham força contavam com filmes com componentes (leia-se a exaltação de figuras ou ideias patrióticos) mais poderosos do que eles mesmos. Miseráveis é um musical, e desde 2002 nenhum deles leva, além de terem sido muito poucos os que levaram o prêmio. Isso sem considerar os critérios de avaliação cinematográfica, como os erros de Tom Hooper na direção, sua escolha equivocada de Russel Crowe e seu roteiro que esmagou boa parte da história.

William Goldenberg, vencedor de melhor montagem por Argo

William Goldenberg, vencedor de melhor montagem por Argo

Chris Terrio, vencedor de melhor roteiro adaptado por Argo

Chris Terrio, vencedor de melhor roteiro adaptado por Argo

Lincoln ou Argo? Dois meses atrás Lincoln seria o vitorioso, e isso estava claro (pra mim) desde o momento em que terminei de vê-lo. O filme “cheira” a Oscar em cada fotograma, com sua história séria, sobre um evento político importante com um grande nome por trás e outro diante das câmeras. Os motivos para sua derrota ainda parecem misteriosos agora. Talvez, um dia, alguém consiga explicar os motivos exatos para sua súbita derrocada. Uns dizem que a Academia não gosta de Spielberg (e de fato ele perdeu muito mais do que ganhou), mas como explicar sua derrota em todos os outros prêmios importantes, ou na maioria deles? Talvez sejam as incorreções históricas que muitos vêm levantando nas ultimas semanas. Mas e Argo, não tem incorreções históricas? O personagem de Alan Arkin, por exemplo, não existiu na vida real.

Na minha infinita mediocridade, não consigo explicar os motivos que fizeram a Academia optar pela vitória da CIA diante da biografia de seu presidente mais famoso. De fato, pareceu um mea-culpa, algo como: “todos estão premiando, fica chato não premiar”. Como sabemos a política é fundamental em Hollywood e no Oscar mais ainda. E esse ano isso ficou ainda mais claro: divisão de prêmios, escolhas estranhas entre os indicados, boicotes ao pessoal dos efeitos visuais, e até primeira dama entregando Oscar. No fim, ganhou Argo e o mundo não mudou. Por quê? Não sei exatamente, mas talvez sejam as barbas.

Grant Heslov, Ben Affleck e George Clooney. Produtores de Argo, o vencedor de melhor filme e donos de barbas de respeito

Grant Heslov, Ben Affleck e George Clooney. Produtores de Argo, o vencedor de melhor filme e donos de barbas de respeito

PS: no meu bolão pessoal acertei dezesseis das vinte e uma apostas. Não ganharia nem um parabéns se tivesse valendo dinheiro.

About Alexandre Landucci

Dizem que é crítico de cinema, dizem que é um cara legal e dizem também que pode ser bem ranzinza. Outros, no entanto, dizem que “as vezes” ele acerta no que fala, enquanto outros – ele deve pagar essas pessoas – gostam do trabalho dele. Fã de Galactica, Doctor Who, Hayao Miyazaki, David Cronenberg, Dario Argento, Orson Welles, Grant Morrison, Neil Gaiman e comprador compulsivo de filmes.

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