Os Muppets [Crítica]

Os Muppets

(The Muppets, 2011)

Comédia/Musical – 98 min.

Direção: James Bobin

Roteiro: Jason Segel e Nicholas Stoller

Com: Jason Segel, Amy Adams, Chris Cooper, Kemit, Fozzy, Miss Piggy, Gonzo e Animal

Crítica escrita por: Alexandre Landucci

Serão os Muppets relevantes ao século 21? Poderá funcionar um filme em que fantoches manipulados são as estrelas? O humor da turma de Jim Henson ainda funciona? Como competir com o glorioso 3d e as animações cada vez mais elaboradas?

São essas as muitas perguntas que o filme dos Muppets levantou, quando iniciou sua produção. Como fazer de um grupo de personagens que hoje, sobrevive graças ao amor dos mais nostálgicos, um filme de sucesso? A resposta é mais simples do que possa parecer: manter o respeito ao original, assumir a condição de datado, encher o filme de piadas “adultas”, terem a noção de que a garotada não é seu público alvo e se render a nostalgia sem esquecer que o filme ainda está sendo produzido em 2011.

O primeiro fator que faz do filmes do Muppets funcionar é seu bom humor. Não só por se assumir como uma comédia de absurdos, mas por em momento algum se levar a sério, desde o absurdo plot que reúne o “primo do Pee-Wee”, Gary (Jason Segel) que tem como irmão o muppet Walter. Ambos vivem em uma cidade americana tipicamente kitsch saída diretamente da fantasia republicana dos anos 50, onde passam suas vidas coloridas e saltitantes entre cantorias bobalhonas e episódios de Muppets. Gary namora Mary (Amy Adams) a mais de dez anos, e como comemoração para a data, decide levar a garota (que é professora de mecânica na escola local, notem os absurdos propositais da história) para uma viagem a terra da magia: Los Angeles, onde pretende também realizar o sonho de seu irmão e levá-lo a conhecer os estúdios onde os Muppets gravavam sua série de TV.

Uma vez lá, Walter descobre um plano maligno encabeçado pelo industrial Tex Richman (Chris Cooper hilário, até cantando) que pretende demolir o prédio e explorar o petróleo que lá existe, ao menos que os Muppets – segundo o contrato – consigam 10 milhões de dólares para saldar a dívida do estúdio.

A partir dai o trio Gary, Mary e Walter passa a buscar os Muppets para reuni-los na tentativa de angariar fundos para saldar as dívidas do estúdio. Claro, que como em todo filme dos Muppets, o primeiro é mais importante personagem é o primeiro a ser resgatado. Kermit (ou Caco) depois de muita conversa e uma canção (naturalmente) resolve ir atrás de seus antigos companheiros, e a partir daí o filme cresce muito em qualidade.

Sejam pelas participações especiais ou pelo ótimo timing humorístico dos personagens, Muppets consegue a proeza de se parodiar e ainda soar fresco e diferente. Se Jack Black continua sendo um “ator” sem graça, aqui funciona já que seu personagem é uma versão exagerada dele mesmo, o grande destaque é a impagável aparição de um famoso ator geek em um momento que aglutina todas as características que fazem do filme uma diversão leve e de grande qualidade: uma música tola e de letra brega (e por isso mesmo genial), coreografias datadas e interpretações que beiram a vergonha alheia, mas tudo feito com tal senso de humor que funciona. É difícil ser tolo propositalmente, e ainda assim, ser relevante e fazer a piada render.

Ainda no campo do humor, não faltam às muitas referências a situação anacrônica dos Muppets em um mundo digital. Desde o mordomo/chofer/computador dos anos 80, até o fato de jovens estrelas sequer reconhecerem Kermit (ou Caco), passando pela cena sensacional passada em um escritório de uma executiva da tv, que discursa sobre a penetração de mercado dos Muppets hoje, e sacramenta que o grupo não é reconhecido por ninguém, mostrando na sequencia um programa “da moda” onde um grupo de moleques bate sem dó em um professor. Esse humor anárquico e crítico é o que faz do filme relevante.

O roteiro de Nicholas Stoller (curiosamente o mesmo da bonbagem Viagens de Gulliver) e do próprio Jason Segel é feliz por não desvirtuar-se dos preceitos Muppets e ainda “jogar com as armas do inimigo” sendo cínico e ácido em diversos momentos do longa, como a sequencia em que a platéia do show do grupo é composta a princípio de um mendigo (Zach Galifianakis, de Se Beber Não Case), ou mesmo quando Fozzy, o urso que é mais engraçado do que a maioria dos humoristas brasileiros, acaba revelando um importante plot twist na parte final do filme, que vai de encontro a essa questão da falta de popularidade dos Muppets.

Recheado de canções brega, datado, nostálgico e com um roteiro que é um fiapo, Muppets é tudo isso sim, mas ainda consegue ser divertido e relevante em pleno século XXI.

Texto publicado originalmente em Fotograma Digital 

About Mozart

Vulgo Mozart Gomes é o Fundador , administrador e idealizador do Senpuu. Designer Gráfico, Mozenjaa é o responsável por todas as mudanças no layout do Senpuu, tanto as boas quanto as ruins. Fã de tokusatsu desde a era manchete, resolveu consumir diariamente todo o seu amor pelo tokusatsu, criando o Senpuu.

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