Mercury Man – Crítica

Alexandre Landucci

Existe uma expressão – bastante comum no Brasil – que diz: “de boas intenções, o inferno está cheio”. Pois é, essa frase resume com precisão cirúrgica a aberração sem graça chamada Mercury Man, produção de super-herói tailandesa que é uma coleção interminável de equivocos.

A história acompanha esse rapaz, Chan – um bombeiro – que adquire super-poderes ao ser “contaminado” com uma substância mágica vinda do Tibet. Sério.

Com uma premissa medonha dessa já fica claro que o filme não tem lá grandes qualidades. Essa sensação se torna certeza quando o Mercury Man enfrenta os seus inimigos – um grupo de terroristas que quer explodir um navio americano em alto mar, ajudado por uma inimiga que sabe controlar a tal força mágica de Chan.

No fundo, Mercury Man é uma mistura – mal feita – de Homem Aranha, citado nominalmente durante o filme, com uma roupa (risível) copiada sem dó de Spawn, apresentando poderes fajutos e efeitos visuais pobres.

Não existe, exatamente uma trama, mas uma compilação de cenas de ação – já que o filme tem o dedo dos produtores da série de artes marciais Ong-Bak – até que bem coreografas mas que pecam por não estarem amarradas a nenhuma história minimamente consistente.

O diretor Bhandit Thongdee é relaxado e incapaz de conferir alguma personalidade a seu herói e por conseqüência direta a seu filme. O mesmo vale para a equipe de produção, que tenta transformar seu personagem em uma versão asiática de um herói americano. Os efeitos visuais beiram – ou melhor – são ridículos e incluem algumas das piores seqüencias vistas por esses olhos num filme de ação. Destaque para a “maravilhosa” cena da aparição de mamutes (!!) em plena rua.

A fantasia – me recuso a chamar a uniforme do herói de figurino – é paupérrima, lembrando os saudosos tokusatsus dos anos oitenta, feitos com muito menos dinheiro e mais coração. O leitor – caso se arrisque a ver o filme – vai notar as costuras da máscara do personagem e nas costas, o que é mais uma prova do relaxo ou da falta de noção de orçamento.

Existem fãs, é verdade, desse tipo de produção “podre”. Mas, mesmo os fãs de non-sense, devem atentar para a falta de qualidade nos principais aspectos que qualquer filme precisa apresentar. O primeiro e mais importante é a ausência de uma história minimamente interessante, plausível ou mesmo divertida. Depois, temos os fracos atores que não conseguem apresentar nada para cativar o espectador, ou mesmo causar algum tipo de identificação com aqueles personagens em tela. E por fim, o trabalho do diretor. Montagem, fotografia, enquadramentos, criatividade e afins. Nada aqui surpreende ou mesmo agrada. Não precisa inventar a roda, mas pelo menos que tenha competência para fazer “o carro andar”. Thongdee é limitadíssimo como diretor de atores e comum como diretor de ação.

Aqui nada disso é visto. Uma pena. Seria muito interessante apontar Mercury Man, como uma produção interessante que respeita suas origens orientais e as mescla com as óbvias referências dos heróis americanos. Não é o caso: além de não divertir como um filme pipoca – típico da filmografia dos super-seres ianques – apresenta pitadas vazias da cultura local, fazendo do filme um monstro sem pé nem cabeça.

About Mozart

Vulgo Mozart Gomes é o Fundador , administrador e idealizador do Senpuu. Designer Gráfico, Mozenjaa é o responsável por todas as mudanças no layout do Senpuu, tanto as boas quanto as ruins. Fã de tokusatsu desde a era manchete, resolveu consumir diariamente todo o seu amor pelo tokusatsu, criando o Senpuu.

7 comments

  1. “hehehehe….só posso rir dessa sua resenha Landucci^^Nunca nem tinha ouvido falar desse filme, e olha que de filmes trash’s eu enetendo, vide minha insistencia pra que você analise o filme Tokyo Gore Police!Fiquei com votade de assistir esse “petardo” cinematografico, se algum puder me passar o link pra baixar,fico grato!Só achei que você hoje iria desmercer( e por isso gosto de suas resenhas^^)o terceiro film do Death Note, mais ao menos conheci um “herói” ridiculo novo, abraços!

  2. Ed tudo bem?

    Death Note 3 vai ser o próximo destruído rs. A culpa é dos caras do Senpuu, que me pedem pra escrever sobre essas trasheiras. Tokyo Gore tá na lista pra aparecer por aqui. Mas depois de Mercury Man, devemos ter novidades por ai

  3. Finalmente outra pessoa viu essa porcaria! Eu achei esse filme um tempao atrás no canto mais esquecido da locadora e quase q num chego no fim! Q lixo

  4. Já vi esse filme . É um lixo desgraçado de ruim . Pior que ele , só mesmo A Batalha dos Deuses .

  5. faz uma sobre Casshern, é foda só pela história

  6. Já assisitir esse filme… ele é tão rídiculo, que chega a ser engraçado!

  7. eu q n queria conhecer o autor da resenha, imagina ele falando mal de vc…..

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